Alongamento e restauração: qual a diferença?

Os alongamentos artificiais, realizados no Brasil, e as restaurações de unhas danificadas, realizadas no método russo original, podem conter certa semelhança técnica entre si, já que ambas, de alguma maneira, utilizam polímeros artificiais para criar extensões de unhas. Contudo, a diferença fundamental não está na técnica em si, nem nos materiais utilizados, mas sim na forma e nos princípios que guiam a sua utilização.

A febre brasileira dos alongamentos artificiais

Geralmente realizados por Nail Designers, os alongamentos artificiais se tornaram moda nos últimos 10 anos, no Brasil. A profissional, que é especialista em extensões artificiais de unhas, oferece o serviço para clientes que desejam ter unhas longas, instantaneamente. Porém, ela ignora o fato de que, se cuidadas corretamente, as unhas são capazes de crescer, naturalmente. Ao realizar o chamado alongamento, a Nail Designer despreza as unhas naturais, sejam elas curtas, longas, danificadas ou saudáveis. A primeira providência que elas tomam é cortar as unhas com alicate ou cortador no menor tamanho possível. A partir daí são aplicadas extensões de material artificial em todas as unhas, na maior parte das vezes, essas extensões são muito mais compridas do que uma unha natural poderia suportar. 

Entre as características dos alongamentos artificiais estão o excesso de comprimento, a falta de personalização, a imitação da aparência das unhas naturais (que foram removidas pelo próprio procedimento) e, consequentemente, um visual com aspecto exagerado e caricato, que só é apreciado por certos nichos de mercado.

Os alongamentos artificiais são vendidos com o objetivo de substituir as unhas naturais de forma definitiva. Por isso, nas sessões seguintes à aplicação inicial, é realizado um procedimento conhecido como "manutenção do alongamento". A cada duas ou três semanas é necessário realizar ajustes no material artificial e a remoção das unhas naturais que, evidentemente, sempre vão continuar crescendo por baixo do material artificial. Segundo as Nail Designers, a unha natural precisa ser removida para evitar descolamentos e diminuir o risco de infiltrações. Esse procedimento é conhecido como "remoção da unha de baixo", o que para as russas é um completo absurdo.

Durante a manutenção, a Nail Designer coloca mais material artificial na região próxima à cutícula, com o objetivo de preencher essa área que fica descoberta após o crescimento das unhas. A Nail Designer também aproveita para diminuir o comprimento da unha artificial, geralmente a pedido da própria cliente que se sente incomodada pelo exagero da extensão.

O conceito russo de restauração de unhas naturais danificadas

Para as russas, as "unhas de baixo" são apenas "unhas naturais", as únicas que temos e que devem ser preservadas a todo custo. Dentro do método russo original, uma unha natural jamais deve ser sacrificada para ser substituída por uma imitação artificial. Os polímeros artificiais só são utilizados para criar próteses, de caráter provisório, de modo a restaurar unhas naturais danificadas até que elas cresçam novamente.

Por isso, nunca há a necessidade real de alongar todas as unhas ao mesmo tempo. Mesmo nos casos em que a cliente chegue com unhas extremamente curtas ou roídas, a profissional que executa o método russo cria extensões apenas nas unhas que precisam de uma correção, sempre com o objetivo de recuperar o seu tamanho e não de adicionar tamanho extra.

Diferentemente das Nail Designers, que são treinadas para alongar todas as unhas de forma não personalizada, a manicure que usa o método russo original cria extensões artificiais de forma pontual, somente se necessário, por tempo limitado e sempre respeitando o biotipo das mãos da cliente e a proporção entre as demais unhas naturais existentes.

A tal da "manutenção do alongamento" é inconcebível para russas, muito menos, a remoção do que as Nail Designers chamam de "unha de baixo". A cada sessão, a manicure que usa o método russo remove completamente as camadas de gel aplicadas sobre a unha natural, retirando inclusive o gel aplicado sobre as restaurações artificiais, de forma totalmente segura. Ela também verifica a integridade das unhas naturais e avalia se há necessidade de fazer uma nova restauração pontual. Em geral, em no máximo três sessões, a unha natural cresce e atinge o comprimento desejado, não havendo portanto, a necessidade de manter a extensão artificial por tempo indefinido. Sempre que o procedimento é realizado de forma correta, não há risco de descolamento, nem de infiltrações.